Humberto chegou
ao apartamento da sua prima Neide antes da hora combinada. Bem antes, questão
de quarenta minutos ou mais. Para sua surpresa, porém, todos os outros
convidados já estavam presentes e a ceia já tinha começado a ser servida.
Deu um boa noite geral, mas ninguém
respondeu a seu aceno. Sentou-se na única cadeira livre junto à mesa e
serviu-se da sopa fria, enquanto acompanhava a conversa a gritos que era
traçada entre os esbaforidos convivas: política.
Discordava de todos os argumentos que
eram apresentados, mas absteve-se de pronunciar-se: os ânimos estavam muito
exaltados.
Antes que terminasse de tomar sua
sopa, os pratos, à exceção do dele, foram trocados. Eliete, a empregada de
Neide que lá trabalhava desde jovem, passou a servir a salada.
Ele mentiria se dissesse que não se
sentiu incomodado com o desprezo que Eliete lhe dedicou... Conheciam-se havia
tanto tempo...
A discussão continuava, o que
retardava o consumo da salada. Eliete aguardava, em pé, encostada no batente da
porta que separava a sala do corredor da cozinha e não fez nem menção de se
mexer quando ele terminou sua sopa.
Então o relógio-cuco soou, indicando
as 22h, horário previsto para o início do encontro. Logo depois, ouviu a
campainha tocar.
Virou-se para a porta e viu sua
prima Neide recebendo-o com um abraço:
-
Entra, Humberto, querido. Você é o primeiro a chegar.