sábado, 3 de dezembro de 2016

CEIA

Humberto chegou ao apartamento da sua prima Neide antes da hora combinada. Bem antes, questão de quarenta minutos ou mais. Para sua surpresa, porém, todos os outros convidados já estavam presentes e a ceia já tinha começado a ser servida.
           
Deu um boa noite geral, mas ninguém respondeu a seu aceno. Sentou-se na única cadeira livre junto à mesa e serviu-se da sopa fria, enquanto acompanhava a conversa a gritos que era traçada entre os esbaforidos convivas: política.
           
Discordava de todos os argumentos que eram apresentados, mas absteve-se de pronunciar-se: os ânimos estavam muito exaltados.
           
Antes que terminasse de tomar sua sopa, os pratos, à exceção do dele, foram trocados. Eliete, a empregada de Neide que lá trabalhava desde jovem, passou a servir a salada.
           
Ele mentiria se dissesse que não se sentiu incomodado com o desprezo que Eliete lhe dedicou... Conheciam-se havia tanto tempo...
           
A discussão continuava, o que retardava o consumo da salada. Eliete aguardava, em pé, encostada no batente da porta que separava a sala do corredor da cozinha e não fez nem menção de se mexer quando ele terminou sua sopa.
           
Então o relógio-cuco soou, indicando as 22h, horário previsto para o início do encontro. Logo depois, ouviu a campainha tocar.
           
Virou-se para a porta e viu sua prima Neide recebendo-o com um abraço:
           
- Entra, Humberto, querido. Você é o primeiro a chegar.