sábado, 2 de julho de 2016

A VIVA DOR

RODA

Foi boa a festa? Foi sim, só faltou você! Não deu pra eu ir, meu pai não deixou. Pena. A Maria disse que você ficou conversando com um cara a noite toda. Que exagerada a Maria. Mas quem era o cara? Que curiosa você! Que chata você!

RODA

A Ana é aquela ali de camisa verde, a Maria é a de vestidinho. Qual das duas é a namorada? Nenhuma. Mocinha, eu preciso da namorada. A Ana é quem ficou conversando com ele na festa, mas eles não são namorados. É ela.

RODA

Por que será que a inspetora chamou a Ana pra diretoria? Vou saber? Tá uma seda, hein Clarinha? Não enche, Maria.

RODA

Alô. Alô, boa noite: aqui quem fala é o Humberto, sou pai da Ana, que estuda na sala da Clara... minha filha não voltou ainda e eu estou ligando pra saber se por um acaso ela não está com a Clara. Não está. Ah... e será que a Clara saberia por onde ela anda, se ela foi à casa de alguém...? Não; passar bem.

RODA

Não é possível ela aguentar tanto assim, Sargento... se ela soubesse alguma coisa já teria aberto o bico faz tempo! Merda. O que eu faço, Sargento. Finaliza e desova.

RODA


No peito a saudade cativa. Roda a vida, fica a dor, a viva dor a roda viva.